— Pense em você encolhendo, encolhendo, tornando-se tão pequeno quanto um grão de areia. Qual seria meu aspecto para você, então? Suponha que se torne ainda menor, tão pequeno que o grão de areia passe a ser tão grande quanto um mundo para você. — Nesse caso, o que seria de mim? — perguntou, detendo-se e passando a me fitar com um olhar penetrante. — Bem? — perguntou. — O que você veria?Eu continuei sentado, boquiaberto, o cérebro paralisado com o pensamento, a boca aberta como se fosse um peixe que haviam acabado de atirar à terra.
— Você veria, Lobsang — disse o Lama —, um grupo de mundos amplamente espaçados, flutuando nas trevas. Devido a seu tamanho minúsculo, você veria as moléculas de meu corpo, como mundos separados, com espaço imenso entre elas. Você veria mundos girando ao redor de mundos, você veria "sóis", que seriam as moléculas de certos centros psíquicos, você veria um universo!
Meu cérebro rangia, eu era capaz de jurar que a "maquinaria" acima de minhas sobrancelhas tinha um estremecimento convulsivo, com o esforço que eu despendia a fim de acompanhar todo aquele conhecimento estranho e emocionante.
O meu guia, o Lama Mingyar Dondup, estendeu a mão à frente, e com gentileza ergueu meu queixo.
— Lobsang! — disse, com uma risadinha. — Os seus olhos estão ficando vesgos, no esforço por me acompanhar.
Voltou a sentar-se, rindo, e deu-me alguns momentos para que eu me pudesse recuperar um pouco. Em seguida, exclamou:
— Olhe o tecido de seu manto. Apalpe-o!
Obedeci, sentindo-me notavelmente aparvalhado enquanto fitava o traje velho e esfarrapado que eu usava. O Lama observou:
— É tecido, algo liso ao tato. Você não pode ver através dele, mas imagine que o examina por um vidro de aumento, que amplie dez vezes a visão. Pense nos fios grossos de lã iaque, cada qual, dez vezes mais grosso do que você está vendo, agora. Conseguiria perceber a luz entre os fios, mas amplie os mesmos um milhão de vezes, e conseguirá passar entre dois a cavalo, a não ser que cada fio se tornasse grande demais para escalar!
Caverna dos Antigos, Lobsang Rampa
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
014 - caverna dos antigos P1
sábado, 22 de fevereiro de 2014
013 - um lugar para os excluídos
Hellinger desenvolveu seu método a partir de observações empíricas, fundamentadas em diversas formas de psicoterapia familiar, dos padrões de comportamento que se repetem nas famílias e grupos familiares ao longo de gerações. Esse filósofo deparou-se com um fenômeno descortinado pela psicoterapeuta americana Virginia Satir nos anos 70, quando esta trabalhava com o seu método das “esculturas familiares”: que uma pessoa estranha, convocada a representar um membro da família, passa a se sentir exatamente como a pessoa a qual representa, às vezes reproduzindo, de forma exata, sintomas físicos da pessoa a qual representa, mesmo sem saber nada a respeito dela.
Hellinger descobriu alguns pontos esclarecedores sobre a dinâmica da sensação de “consciência leve” e “consciência pesada”, e propôs uma “consciência de clã” (por ele também chamada de “alma”-- no sentido de algo que dá movimento , que “anima”), que se norteia por “ordens” arcaicas simples, que ele denominou de “ordens do amor”, e demonstrou a forma como essa consciência nos enreda inconscientemente na repetição do destino de outros membros do grupo familiar. Essas ordens do amor referem-se a três princípios norteadores:
1 - a necessidade de pertencer ao grupo/clã2 - a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos3 - a necessidade de hierarquia dentro do grupo/clã
As ordens do amor são forças dinâmicas e articuladas que atuam em nossas famílias ou relacionamentos íntimos. Percebemos a desordem dessas forças sob a forma de sofrimento e doença. Em contrapartida, percebemos seu fluxo harmonioso como uma sensação de estar bem no mundo.
Não tive tempo algum para pensar em grandes coisas sobre minha “realização pessoal”, como hoje se diz. No fundo, cresci sem juventude. Não havia isso naquele tempo. Essa fase não aconteceu comigo. Quando voltei da guerra, aos 20 anos, cerca da metade de meus colegas estavam mortos. Também meu irmão não retomou da guerra, e as cidades jaziam em ruínas. Já não é possível sentir hoje o que significou. O sentimento de vida era totalmente diferente, mas dele vem também uma força especial.
Nesse tempo eu fui tomado a serviço, não sei por que forças. Fui utilizado para alguma coisa. Em cada sistema existe uma certa pressão para completar algo inconcluso. Por exemplo, talvez o sistema pressione algum descendente para resolver algo por seus antepassados. O sistema compele alguém, seja numa direção, que chamamos positiva, seja numa direção negativa, sem que o indivíduo possa decidir.
O que é “positivo” e o que é “negativo”?
Positivo é quando alguém faz algo de bom pelos outros, simplesmente a vida ordinária. Alguém se casa, tem filhos, promove-os, eles se tornam autônomos - isso é algo grande. Essa pessoa está sintonizada com um movimento bom, positivo.
Uma outra pessoa, numa outra situação, talvez se torne assassina, e isso de forma inevitável, sem liberdade de decisão. Ela também é tomada a serviço por uma instância superior.O senhor fala de “positivo” e “negativo”. Isso soa como uma avaliação. Isso se entende nesse contexto, pois se falou de um assassino.
Digo isso apenas porque costumamos fazê-lo. Para mim o processo é o mesmo, ambos não são livres, não são livres no bem e não são livres no mal. Nessa medida, não dou preferência a nenhum. É simplesmente do jeito que é. São destinos que tocam a cada um. É o próprio sistema que compele uma pessoa a isso. Numa escala mais ampla, existem movimentos poderosos que arrebatam as pessoas e as carregam consigo ou que - como o nacional-socialismo ou o comunismo - empolgam nações inteiras.
Um lugar para os excluídos, Bert Hellinger
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
012 - o cérebro e o significado da vida
Pessoas experimentam percepções como azul, sensações como dor, emoções como felicidade, e pensamentos como acreditar que a primavera finalmente chegou. Será que a psicologia e a neurociência serão um dia capazes de explicar como as pessoas têm esses tipos de consciência?
A psicologia e a neurociência têm feito grandes progressos na explicação de muitos processos mentais, como resolução de problemas, aprendizagem e uso da língua. Mas muitas pessoas ainda têm a intuição de que, não importa o quanto a ciência cognitiva progrida, ela ainda será incapaz de lidar com o mistério da consciência. Nesta visão, todos nós temos uma compreensão básica da experiência consciente através de nossos próprios episódios de percepção, sensação, emoção e reflexão. Mas existe um abismo explanatório intransponível que impede a ciência de trazer a consciência para dentro do seu âmbito.
A ciência seria de fato incapaz de explicar a consciência se as experiências mentais fossem propriedades de almas imateriais, cujas operações permaneceriam totalmente misteriosas a partir da perspectiva dos mecanismos que os físicos, químicos, biólogos e psicólogos utilizam para explicar o que acontece. Mas existem insuficientes evidências que sustentem a visão de que mentes são qualquer coisa além de cérebros, desta maneira a perspectiva não-materialista não parece gerar uma barreira para a explicação da consciência.
Outra possibilidade é que a consciência seja muito complicada para ser compreendida por mentes humanas, que evoluíram para encontrar comida, água, abrigo e parceiros em ambientes simples. Mas essas mesmas mentes foram capazes de criar maravilhosas ferramentas culturais, tais como a linguagem escrita, a matemática e instrumentos científicos que vão desde os telescópios às máquinas de imageamento cerebral. Portanto, seria prematuro, por uma escala de séculos, desistir da tentativa de encontrar explicações científicas para os processos mentais, incluindo a consciência.
De fato, importantes progressos estão sendo alcançados, tanto experimental quanto teoricamente, na exploração dos mistérios da consciência. Os que duvidam disso devem verificar os sites de alguns dos principais pesquisadores da consciência, que incluem:
António Damásio, em L.A.Stanislas Dehaene, ParisChristof Koch, PasadenaGiulio Tononi, Madison
Através do trabalho desenvolvido por eles e por outros, estamos começando a vislumbrar como a consciência poderia ser uma propriedade mental que emerge de um processamento complexo envolvendo bilhões de neurônios em dezenas de áreas cerebrais que interagem.
Em meu livro, O Cérebro e o Significado da Vida, esboço de um relato de como um tipo de consciência – a experiência emocional – pode surgir por meio das interações de múltiplas áreas do cérebro que lidam simultaneamente com as representações perceptuais de situações externas, avaliações cognitivas da significância dessas situações para os objetivos pessoais de alguém e percepções internas dos estados corporais. Nesta perspectiva, a consciência não é uma função especial da mente, mas sim o resultado de processos interativos que unem as percepções e avaliações. Como tais ligações e interações ocorrem é um tópico corrente de investigação na psicologia e na neurociência.
Assim, vejo razões para entusiasmo com as perspectivas de uma teoria científica da consciência. Pode levar décadas ou mesmo séculos antes que tenhamos boas explicações de todos os diferentes tipos de experiências que surgem na percepção, sensação, emoção e reflexão. Mas as peças dos quebra-cabeças estão começando a surgir, e será muito emocionante quando os cientistas conseguirem colocá-las todas juntas. Então poderemos dizer com confiança que a consciência é um processo cerebral.
Paul R. Thagard é professor de Filosofia e Diretor do Programa de Ciência Cognitiva da Universidade de Waterloo, no Canadá. Seus livros incluem The Brain and the Meaning of Life, Hot Thought: Mechanisms and Applications of Emotional Cognition, and Mind: Introduction to Cognitive Science.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
011 - o bom combate
[...]
A doença nos força a encontrar quem somos, sobretudo os aspectos mais sublimes que eram ocultados pelo ego. Portanto a doença é força que destrói as ilusões [006MH5], mas se não quiser enfrentar este bom combate [010/011MH3], as suas opções criarão um estado mórbido e autoalimentado por culpas e ideias que são reflexos de suas crenças de que é incapaz de aprender com a oportunidade. [005MH5]
Quanto a mim, já fui oferecido em libação, e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo juiz, naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor sua aparição (2Timóteo 4,6-8).
Para entender essa passagem poderíamos lembrar aquilo que Paulo escreve no início da primeira carta a Timóteo, recordando as suas responsabilidades:
Esta é a instrução que te confio, Timóteo meu filho, segundo as profecias pronunciadas outrora sobre ti: combate, firmado nelas, o bom combate, com fé e boa consciência; pois alguns, rejeitando a boa consciência, naufragaram na fé (1Timóteo 1,18-19).
Fica claro que o combate de Paulo não é literalmente uma batalha, uma guerra, mas uma imagem que descreve a vida do cristão, o seu comportamento sobretudo em relação ao perseverar na fé. A vida do cristão é feita de escolhas e a liberdade que nos foi dada faz com que cada vez tenhamos que decidir qual estrada tomar; o bom cristão deve seguir fiel ao ensinamento divino. Esse processo é chamado por Paulo de "combate". O êxito final vai defini-lo como "bom" ou "mau".
http://www.abiblia.org/ver.php?id=6674#.UtT_UvuFfgk
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