www.meioshabeis.blogspot.com.br/p/podcast.htmlwww.livrosqtransformam.blogspot.com.brwww.meioshabeis.blogspot.com.br

terça-feira, 26 de novembro de 2013

002 - mar sem fim - Amyr Klink

Mar sem fim (Amyr Klink, 2000)
“Tanto mar, invés de nos separar, nos uniu. Em 141 dias de ausência, do início ao fim, o Paratii fez a sua volta e retornou a Jurumirim. A Terra é mesmo redonda. Ao longo do caminho, pensando bem, nem vento, nem ondas, nem gelo tão ruins, porque no fim, nada impediu meu veleiro de voltar inteiro à sua baía. E nada foi melhor do que voltar para descobrir, abraçando as três, que o mar da nossa casa não tem mesmo fim.

Pior do que passar frio, subindo e descendo ondas ao sul do oceano Índico, seria não ter chegado até aqui. Ou nunca ter deixado as águas quentes e confortáveis de de Parati. Mesmo que fosse apenas para descobrir o quanto elas eram quentes e confortáveis. Eu senti um estranho bem estar ao contornar gelos tão longe de casa.
Hoje entendo bem o meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".
"Transformar o medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar, quando se tem paciência. E para se chegar onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso antes de mais nada querer."
"O que antes me assustava ou preocupava, agora fazia pensar. Pelas janelas de onde via apenas neblina e as velas cheias, fiz passar todas as imagens que desejei ver. E as toquei. Não há mais verdadeira e pura forma de sentir lugares do que tocá-los com a quilha de um barco. Ou com os dedos. A mais simples e universal maneira de expressar carinho. O toque."
"Já acordado na Antártida, ouvi ruídos que pareciam fritura. (..) Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei para mim mesmo: calma, você terá muito tempo para isso! Nos 367 dias que se seguiram, o fenômeno não se repetiu. Algumas oportunidades são únicas!"
"No fundo, eu parti para voltar."

Um homem precisa viajar:


Sobre Amyr Klink:
Aos 22 anos, Amyr explorou de moto a América do Sul junto com um amigo. Nos anos seguintes, fez viagens por todo o Brasil.
É graduado em Economia pela USP e pós-graduado em Administração pela Mackenzie. Arrumou emprego em um banco, às 3 da tarde costumava dormir escondido no banheiro. Largou tudo e passou a se dedicar às viagens. Ele diz: "Eu não conseguia gostar daquilo: uma instituição que eu não conhecia, na qual não enxergava uma alma, nem uma missão, só o lucro... Aquilo me sacudiu mais do que qualquer tempestade com ondas"
Aos 29, em 84, com um barco a remo que ele mesmo ajudou a projetar, foi remando sozinho da África até Salvador-BA. A viagem é contada no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar. Conheceu a esposa quando ela foi entrevistá-lo sobre o feito. Ao pular para o barco dele, caiu e foi sugada por uma hélice. Amyr saltou imediatamente na água e a salvou.
Em 89, em um barco que ele também ajudou a projetar, foi sozinho para a Antártica (pólo Sul) onde permaneceu durante 1 ano. Assim que o mar à volta do seu barco descongelou, em vez de voltar, simplesmente decidiu (do nada!) ir ao Ártico (pólo Norte), para só então voltar ao Brasil. A viagem é contada no livro Paratii: Entre Dois Pólos.
Em 98, deu a volta ao mundo pela rota mais difícil, circunavegando a Antártica e uma expedição tripulada em um outro barco que também ajudou a projetar. A viagem é contada no livro Mar Sem Fim. Já enfrentou uma semana de ondas de 30 metros, foi mais de 15 vezes para a Antártica e muitas vezes para vários lugares do mundo. Também faz palestras no meio empresarial, escreve livros que figuram entre os mais vendidos e participa de projetos especiais. O que mais gosta na Antártica é a luz, diz que tudo reflete a luz e que basta uma noite de céu estrelado para se poder caminhar tranquilamente sobre o gelo.
Acredito que essas viagens possibilitem dar mais valor as coisas e as pessoas, a se sentir bem consigo mesmo, a parar de perseguir bobagens, a refletir profundamente, a dominar o medo pela razão e a ver belezas incomparáveis. E eu valorizo muito isso.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

001 - a terceira visão - Lobsang Rampa

A Terceira Visão (The Third Eye, 1956)

Numa narrativa entremeada por detalhes sobre a vida no Tibete - os costumes e rituais populares que resiste a ocupação chinesa -, ele descreve sua experiência mística e os dons paranormais despertados após sua iniciação religiosa, aos 7 anos de idade, até sua partida de Lhasa, em 1927.

 [...]
Talvez, seja interessante, nesta altura da minha narrativa, fornecer alguns pormenores acerca do nosso estilo de vida. A nossa religião é uma variante do budismo, mas não existe nas línguas ocidentais qualquer palavra pela qual se possa traduzi-la literalmente. Referimo-nos a ela como "A Religião", e aos que praticam a nossa fé chamamos "internos", enquanto a todos os outros chamamos "externos". A palavra mais aproximada existente no Ocidente é "lamaísmo". Difere do budismo por ser uma religião de esperança e de crença no futuro. Para nós, o budismo parece uma doutrina negativa, uma religião de desespero. Não faz parte das nossas crenças que um pai onisciente observe e guarde toda a gente por toda a parte.

Os tibetanos que estudaram os verdadeiros ensinamentos de Buda nunca oram a pedir mercês ou favores; limitam-se a pedir que lhes seja dado contar com a justiça dos homens. Um Ente Supremo, por natureza a própria essência da justiça, não pode mostrar compaixão por um e negá-la a outro, porque tal seria a negação da justiça. Orar a pedir mercês ou favores, com promessas de ouro ou de incenso se o pedido for atendido, é inferir que a salvação está ao alcance do que mais puder pagar,que Deus está precisando de dinheiro e pode ser "comprado". O homem pode mostrar compaixão pelo homem, mas só raramente o faz; o Ente Supremo só pode mostrar justiça. Nós somos almas imortais. A nossa oração:Om! ma-ipad-me Hum! — adiante transcrita — tem sido por vezes traduzida literalmente como:"Salve, ó Joia no Lótus!" Mas os que conhecem melhor os textos sabem que o verdadeiro significado é: "Salve, ó Ser Intimo e Superior no Homem!" Não existe a morte. Assim como ao fim do dia um homem despe as suas roupas, assim a alma se desfaz do corpo quando este dorme. Assim como um terno é posto de lado quando está surrado, assim a alma se desembaraça do corpo quando este está gasto e velho. A morte é nascimento. Morrer é simplesmente o ato de nascer num outro plano de existência. O homem, ou melhor, o espírito do homem é eterno. O corpo é um mero invólucro temporário que cobre o espírito, que é escolhido de acordo com a missão a cumprir na Terra. 
A aparência exterior é, portanto, de pouquíssima importância. O que importa é a alma que está lá dentro. Um grande profeta pode aparecer nas vestes de um mendigo, enquanto um homem que muito pecou na sua vida anterior pode desta vez nascer em riqueza, para  experimentar ever se continua a pecar quando não tem a desculpa da pobreza para o tentar.Om! ma-nipad-me Hum!"A Roda da Vida" — é assim que designamos o ato de nascer,viver, voltar à condição espiritual e, em devido tempo, renascer em condições e circunstâncias diferentes. Um homem pode sofrer muito durante a sua existência, e isso não significa necessariamente que na sua vida anterior foi um pecador: talvez essa seja a melhor maneira de aprender certas coisas. A experiência pessoal é o melhor mestre! Uma pessoa que se suicida pode renascer para viver os anos cortados prematuramente, mas não se segue que todos os que morrem novos ou quando bebês foram suicidas em vidas anteriores. A Roda da Vida aplica-se a todos, mendigos e reis, homens e mulheres, brancos e negros. A Roda, é claro, não passa de um símbolo, que serve para tornar a ideia mais simples para aqueles que não têm tempo suficiente para estudar o assunto mais afundo. É impossível explicar as crenças tibetanas em um ou dois parágrafos; o Kan-gyur, as Escrituras tibetanas, consiste em mais de cem volumes sobre o assunto, e mesmo esses não o tratam exaustivamente. Há muitos outros livros guardados em lamastérios remotos e que só aos iniciados é dado ler. [...]

 Das experiências do budismo, o lamaísmo ou budismo tibetano, considera que todas as coisas, boas e más, tem o seu propósito. Ao considerar que o objetivo das ações, boas ou más, é de realizar os desejos emanados pelos pensamentos, temos que aceitar que as nossas ações, baseadas em suposições e modelos, possam impedir o fluxo natural das ações. Existem um choque entre o que nós, como ego, desejamos -  e se baseia em suposições, mesmo as certezas são ilusórias - e o que o espírito imortal deseja. Ir contra o desejo da alma cria infelicidade e sofrimento.

Por isso os monges afirmam "Salve, ó Ser Intimo e Superior no Homem!"